O impacto dos Santos Populares no Turismo e a “desculturação” a longo prazo

Os Santos Populares são um evento que ocorre no mês de Junho por todo o país. Portugal enche-se de festas e arraiais nas noites de Santo António, de São João e de São Pedro, sendo que as principais festas são as de Santo António, na noite de 12 para 13 de Junho, em Lisboa, e as de São João de 23 para 24 de Junho, no Porto. 04_Alfama_festejos_Santos_Populares

As festas são normalmente de grande animação, o povo sai à rua, come, bebe e diverte-se pelas ruas dos bairros que se enchem de manjericos, balões e cor, muita cor. Em Lisboa, a Avenida da Liberdade recebe, tradicionalmente, o desfile das marchas populares de cada bairro como Alfama, Madragoa, Bica, Mouraria e Graça, entre outros que dão vida com música e coloridos. Nos Largos de Lisboa come-se sardinha assada e Caldo Verde. Já no Porto, os bairros tradicionais como a Ribeira, Fontainhas, Massarelos e Miragaia, entre outros, festejam quase da mesma maneira, mas juntando o típico “martelar” de cabeças com os martelos de plástico, que em tempos era feito com alho-porro. No final da noite, é costume haver fogo-de-artifício no Rio Douro.

Em qualquer sítio do país era tradição saltar a fogueira e oferecer à namorada/namorado um vaso de manjerico com quadras de amor, pois estas festas estão ligadas ao solstício de Verão e antigos rituais de fertilidade.

No entanto, a tradição que sempre nos habituou a nós portugueses, e aos turistas estrangeiros, tem vindo a mudar ao longo dos tempos. A alteração dos alhos-porros por martelinhos, a pouca procura dos manjericos com as quadras de  1da2-sao-joao-1_dtamor, e até mesmo a Sardinha que tem vindo a ser substituída pelas bifanas. O caldo verde também está em queda, e as portas, que em tempos se abriam, das mais e menos humildes casas no Porto, para a entrada de estranhos para a partilha de comida e bebida, fecharam-se. O álcool aumentou, o consumo de drogas também. Lisboa e Porto saem à rua, é verdade, mas a realidade mudou. E a cultura tem vindo a perder-se. O cheiro a manjerico, a sardinha assada e a chouriço na hortaliça do caldo verde, têm se vindo a perder. As fogueiras que em tempos serviam para se saltar por cima, apagaram-se, e com elas também a chama dos Santos Populares de outros tempos.
Ao longo prazo prevê-se o fim de todas estas ações que eram naturais e culturais do nosso país. Os Santos Populares serão apenas um evento que levará o povo a sair à rua para comer e beber, sem qualquer tipo de cultura deixada por outras gerações. A Globalização levou o povo a “desculturizar-se” e a procurar aquilo que é comum. Aquilo que Portugal tinha de autêntico e genuíno, nesta altura do ano, acabará, e eventos destes serão banais.Festa dos Santos
A probabilidade de um evento destes atrair turistas internacionais não é assim tão alta, mas acontece que poderá resolver muitas das dúvidas de alguns deles na escolha da altura para visitar o país. Com esta “desculturação” será que os turistas se sentirão atraídos quer para a escolha do país, quer para a escolha da altura do ano em que o vão visitar?

A Globalização é sempre boa, mas sem dúvida, que na opinião de muita gente, o Turismo precisa que este conceito seja um pouco posto de parte, ou pelo menos que seja controlado, para a cultura se manter e para que todos possam partilhar experiências completamente diferentes de culturas diferentes que já vêm de os antepassados e que foram partilhados de geração em geração.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s